Hoje, vemos nas redes sociais muitos influenciadores ensinando outros profissionais a “vencer no digital”, defendendo que não é o melhor profissional que cresce, mas aquele que parece melhor. Esse pensamento é muito perigoso.
Quando a imagem vale mais que preparo técnico, o risco não é só de reputação. É risco real à saúde.
Na área da Saúde Estética, a autoridade não se constrói com atalhos. Constrói-se com formação sólida, responsabilidade técnica e respeito às normas. Quando esses pilares são ignorados em nome de crescimento rápido ou visibilidade digital, as consequências podem ser graves.
Um caso recente envolvendo a comercialização irregular de medicamentos reacendeu esta discussão essencial sobre ética profissional. O caso da enfermeira e influenciadora Larissa da Silva Caetano Anunciação veio à tona quando ela foi presa no Rio de Janeiro por comercialização ilícita de medicamentos, incluindo substâncias utilizadas para emagrecimento. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a ação foi conduzida pela Delegacia do Consumidor (Decon), com apreensão de medicamentos e suplementos em condições impróprias e indícios de venda irregular de tirzepatida, que é um princípio ativo cuja comercialização foi vetada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Outro caso recente em São Paulo reforça a gravidade do cenário. A Polícia Civil apreendeu cerca de 90 mil ampolas e frascos de medicamentos para emagrecimento produzidos ilegalmente em farmácia de manipulação. Os produtos não tinham identificação de paciente nem prescrição individualizada, como exigem as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Também foram encontrados insumos vencidos e armazenamento irregular. Em Suzano, laboratório clandestino fabricava versões falsificadas de medicamentos injetáveis transformados em cápsulas. Não é apenas irregularidade. É risco real à saúde.
O setor da Saúde, principalmente na área da Estética, vive momento de expansão acelerada. Cresce a demanda, crescem as redes sociais, cresce a exposição. No entanto, é preciso se lembrar: nem todo crescimento é sustentável. Nem toda visibilidade é sinônimo de autoridade. E nem todo atalho leva ao sucesso.
Crescimento rápido na área da estética: armadilha silenciosa
As redes sociais potencializam reputações em velocidade exponencial. Em poucos meses, um profissional pode alcançar milhares de seguidores. A sensação de validação é imediata. No entanto, o risco também.
Quando a autoridade digital se sobrepõe à responsabilidade técnica, o terreno fica instável. A comercialização irregular de medicamentos não é apenas infração administrativa. Trata-se de risco à saúde. Substâncias como tirzepatida exigem controle rigoroso, prescrição adequada e respeito às normas sanitárias. Ignorar isso é colocar pacientes em perigo e a própria carreira em xeque.
Na Saúde, não existe “atalho estratégico”. Existe formação sólida, atualização constante e atuação dentro da legalidade.
Responsabilidade profissional não é opcional
Profissionais da Saúde carregam responsabilidade que vai além do marketing pessoal. Cada prescrição, cada indicação, cada orientação impacta vidas. Portanto, é importante ficar em alerta para:
- Vender medicamentos sem autorização.
- Anunciar substância vetada.
- Prometer resultado sem respaldo técnico.
Essas práticas não representam ousadia empreendedora. Representam imprudência. E imprudência, nesse setor, tem consequências graves — éticas, jurídicas e humanas.
Menos mídia. Mais trabalho.
Defendemos crescimento estruturado. Formação consistente. Autoridade construída no consultório, na prática supervisionada, no estudo contínuo. O lema é simples: menos mídia, mais trabalho.
Reconhecimento verdadeiro nasce da entrega clínica responsável, da segurança técnica e da reputação construída ao longo do tempo. Crescimento sólido não explode. Consolida.
O que este caso ensina ao profissional da Saúde?
- Autoridade Digital não substitui respaldo legal.
- Tendência de mercado não substitui regulamentação.
- Pressão por faturamento não justifica ilegalidade.
- Crescimento rápido demais costuma esconder risco alto demais.
Atuar dentro das normas não é limitação. É proteção do paciente e da própria carreira.
Que tudo seja esclarecido
Todo caso precisa ser apurado com responsabilidade. Que os fatos sejam devidamente esclarecidos. Que o processo siga o curso legal. Que, independentemente do desfecho, o episódio sirva como alerta aos profissionais do setor.
Porque, no fim das contas, crescer devagar é estratégia. Crescer certo é obrigação.


